setúbal | o porto e os barcos e as memórias do meu avô

não comecei a amar esta cidade de um dia para o outro. levou tempo. levou maturidade. mas quando essa maturidade chegou, comecei a olhar para a minha cidade com outros olhos. e agora sempre que saio à rua, não perco a oportunidade de apreciar o que esta cidade tem de belo. e são tantas, tantas coisas. como é que eu não reparei nisso antes? por isso decidi começar uma rubrica nova aqui no blogue. decidi fotografar mais esta linda cidade e ensinar o valentim a amá-la.

depois da escolinha costumamos ter o nosso momento mãe e filho. de entre tantas tarefas que preenchem o meu dia, este é o momento mais precioso. por isso sempre tento fazer algo de que ele gosta, e ele adora passear. costumamos escolher uma zona diferente da cidade para passearmos. temos sempre tantas opções, que às vezes é difícil escolher. desta vez foi o porto de setúbal. barcos, pescadores, gaivotas, e a oportunidade de falar ao valentim sobre o meu avô joão, que também pescava, que também fazia redes e que me tentou sem grande sucesso, ensinar-me a fazer os nós de que ele tanto se orgulhava. falei-lhe da sua viagem ao irão, de como ele nunca perdia uma novela, que adorava cozinhar marisco e que foi o pai natal da minha infância.

porque quando os que amamos já cá não estão, são as memórias que nos ligam a eles, e que os ligam aos nossos filhos, que nunca os conhecerão.