as férias| parte 2

Ser-se pai e mãe é desejar por vezes chegar a casa e abraçá-los. E, no final do dia, estar desejoso que eles vão dormir para que o nosso sossego comece. in Mum's the boss

já estamos todos em modo regresso à escola, novo ano, novas metas, novos hábitos, novas rotinas. e eu aqui a rever as memórias desta última semana de agosto. quando o valentim está na escola, eu posso respirar quando faço alguma coisa. sem o coração nas mãos quando tenho que ir ao quarto buscar alguma coisa a correr, e fico completamente sem ar quando penso em tudo o que pode acontecer na cozinha em 10 segundos sem eu lá estar (apesar de todas as proteções, eu sempre tenho a mania que nada é mais seguro do que o olhar atento da mamã). posso respirar quando faço as coisas cá em casa. mas sabem quando respiramos tão fundo, tão fundo, que chega a doer no peito? é o que eu sinto quando revejo as fotografias das férias, e penso que estive 24 horas por dia com ele, todos os dias. às vezes desesperada por ele não querer dormir. desesperada por andar sempre a arrumar as coisas que ele atira para o chão. ou por levar dois dias para escrever um simples post no blogue por andar sempre a levantar-me para o tirar de cima do móvel da tv. e agora que a escola recomeçou, eu fico desesperada para o ir buscar à escola por já não aguentar de saudades, desesperada para ir brincar com ele no parque e vermos os patinhos no lago. desesperada para o segurar contra o meu peito e sentir as mãozinhas dele a esfregar os meus braços.

voltando às férias, passeámos pelo castelo de vila viçosa entre os arbustos verdes e a pedra do castelo. subimos à muralha e vimos uma cidade branca rodeada de pedreiras. parávamos para conversar porque estávamos sem pressa. desfrutamos do percurso. o valentim passou pelo colo de toda a gente. viu um cão e apontou todo contente. apanhou folhas dos arbustos com a ajuda do tio. num outro dia, já sem os tios e os avós, visitamos o paço ducal de vila viçosa. simples e imponente. tradicional e majestoso. mas também cansativo para o valentim. aprendemos que não podemos visitar museus que funcionem com visitas guiadas. as crianças têm o seu próprio ritmo. à tarde fomos à piscina. o valentim ao início não queria entrar na água. encolhia os pézinhos o máximo que podia. depois de algum tempo, já não queria sair. encontrámos uma anta construída pelos nossos antepassados pré-históricos. fomos a campo maior ver as ruas enfeitadas com flores de papel. dormimos longas sestas com as janelas bem fechadas. regressámos com o carro mais carregado, e com o coração mais cheio.